sexta-feira, março 16, 2007

Jornal Monizcipal - "Obrigado Padrinho!"

Boa noite! Eu sou a Sentinela Moura Guedes e este é o Jornal Monizcipal!

Hoje, temos em estúdio o nosso primeiro arguido da semana. Senhoras e senhores, meninas e meninos, dêem as boas-vindas a Valentim Poleiro!

SMG – Senhor major, reconhece esta fotografia?
VP –
Eu não conheço ninguém, não tenho nada que ver com isso! É tudo uma cambada de gatunos!!

SMG – Calma senhor major, é apenas um retrato de um senhor italiano, da Sicília, penso eu… Ele manda-lhe cumprimentos.
VP –
Ah, sim sim… conheço. Obrigado, padrinho!

SMG – Vamos dar início à sessão! Arguido Valentim Poleiro, foi cumprido o seu desejo de ser julgado na Comunicação Social. O que tem a dizer sobre os que o acusam de estar implicado em diversos crimes de corrupção desportiva?
VP –
Espere um pouco, deixe-me ver aqui no meu dossier… Corrupção camarária, corrupção em obras públicas, corrupção internacional, corrupção nacional, corrupção desportiva! Cá está! Sabe, tenho isto bem organizado. Aliás, eu pauto-me pela organização e pela transparência.

SMG – Pela transparência? Mas é acusado de diversos crimes…
VP –
É uma cabala que têm contra mim! Eu sou uma pessoa séria e honesta! E sou transparente por dois motivos: primeiro porque todos sabem daquilo que sou acusado e segundo, estou em muitos locais e falo com muita gente que, passados poucos dias, negam ter falado comigo.

VP – Mas… quem é este agora? Passou aqui numa velocidade… Espera aí, é ladrão! Apanha, apanha!
SMG –
Calma, major. É apenas o Mantorras, o jogador do Benfica. Deve ter lido mal a carta que lhe enviámos… É que ele vem cá amanhã para ser julgado. Parece que andou por aí a conduzir sem carta de condução…

VP – Sinceramente, estes jovens de hoje em dia não respeitam as autoridades competentes… Andamos nós a apertar o cinto para o país ir para a frente e há meia dúzia de gatunos que só colocam o país para baixo. São uns corruptos!
SMG –
E em relação ao Mantorras, o que tem a dizer?

VP – Era sobre ele que estava a falar…
SMG –
Ah pois, peço desculpa, pensei que… Prossigamos!

SMG – Parece que um amigo seu também foi constituído arguido por ter ordenado as agressões ao antigo vereador da Câmara de Gondomar…
VP –
Oh, isso é dor de bexiga! Ops, peço desculpa, é dor de cotovelo! Sou bonito, famoso, apareço na televisão, tenho um filho que canta muito bem… E muitos têm inveja.

SMG – Há quem diga que o seu filho deveria ser BANido do mundo da música. Outros dizem, ainda, que deveria ser banido do mundo desportivo. Mas isso são contas de outro rosário. Por falar em rosário, prefere o rosário das rosas ou o rosário religioso?
VP –
Posso usar o trunfo de 50%? Ora bem… Nunca gostei muito de rosas. Mas agora parece que vem aí uma nova vaga de religião. E parece que vai entrar pela Porta(s) principal. Temos é de manter as janelas bem abertas para circular o ar.

SMG – Algo em que estamos de acordo… Uma última pergunta, há quem diga que o equipamento do Boavista vai deixar de ser axadrezado para ter com umas listas verticais. Confirma?
VP –
O Boavista sempre foi axadrezado, mas reconheço que tenho uma certa “queda” para o novo equipamento… Eu e os seus futuros convidados…

Senhora Moura Guedes, está aqui um senhor com um dos nomes igual ao seu que diz que tem de arquivar este caso.
VP –
Finalmente! Estava a ver que não chegavas, pah! É o primeiro Moura, perdão, Mouro em que se pode confiar…

SMG – Senhor major, senhor major?

sexta-feira, março 09, 2007

OPA morre por falta de assistência

O hipnótico ruído da ambulância é cada vez mais audível. Encostados à porta de entrada, observamos com atenção e incredulidade os movimentos apressados dos homens de branco que saem da carrinha. A maca, muitas vezes vazia, transporta um corpo difícil de identificar. Os 12 meses de viagem foram uma eternidade na curta vida do doente.

Diário de Fictícias – Boa noite, senhor doutor. Qual é a primeira avaliação que faz deste paciente?
Médico –
Para já não posso fazer nenhuma avaliação, uma vez que ainda não entrei ao serviço. Aliás, nem eu nem ninguém. Parece que o hospital se encontra encerrado.

DF – Encerrado? Como assim?
Médico –
Sim, parece que fechou para balanço. Contudo, o equilíbrio não é muito. As portas tiveram que ser trocadas pelas antigas, embora com um new look. Em relação ao paciente, foi sujeito a diversas acções, envolvendo material bélico, essencialmente granadas. Desconfiamos de um senhor perito em actos deste tipo. E, por acaso, tem um apelido que é coincide bastante com o tipo de material utilizado.

DF – O seu corpo encontra-se bastante danificado, presumo…
Médico –
De facto, estou algo debilitado. Estes cigarros matam-me. Espero que não transformem este hospital numa discoteca, caso contrário não poderei cá voltar. Aliás, pouco falta: inúmeras pessoas alteradas física ou psicologicamente, vivendo momentos de euforia e dançando ao som da bela música das ambulâncias. Até tem um consumo mínimo! Só falta mesmo é o segurança a seleccionar os clientes.

DF – Referia-me ao corpo do paciente. Mas o doutor não deveria fumar. Não está a dar um bom exemplo às pessoas.
Médico –
Vou ter de me ausentar. Tenho trabalho a fazer.

DF – Mas o hospital continua fechado…
Médico –
Desculpe, mas o tabaco não provoca apenas as doenças que conhecemos. Há outra que é talvez a mais grave e ninguém trata: a surdez.

DF – Como? Não entendi o que disse…
Médico –
Vê?! Você não fuma (nunca vi um jornal a fumar) e é afectado pelo tabaco da mesma forma que eu. Talvez seja por isso que foi criada esta nova lei.

DF – E o paciente? Ainda há esperança?
Médico –
Sinceramente ainda não temos a certeza. Para já, será enviado para aquele compartimento frio, onde será examinado por vários colegas. Mas, como vivemos num mundo de constantes mudanças, pode ser que amanhã volte ao mundo dos vivos.

sexta-feira, março 02, 2007

Goldiewood

“Luzes, Câmara, Acção!” Esta sequência de palavras está presente na memória colectiva de todo um povo que, ao longo dos anos, se foi dedicando à produção e realização de inúmeros filmes de elevada categoria.

Em semana de Óscares, o Diário de Fictícias não faltou à cerimónia e trouxe até si os verdadeiros vencedores das estatuetas douradas.

Melhor Filme:

“Entre Inimigos” – Um remake de um «thriller» que fez grande sucesso na Madeira e em Portugal Continental. Este filme mistura políticos e palhaços, com elementos infiltrados em ambos os lados. O riso é uma componente primordial neste filme que faz um retrato perfeito da sociedade em que nos inserimos. O duro combate entre Alberto Cardinali e José Cicuta irá, com certeza, prender a atenção dos telespectadores. Porém, o final é certo, um será departed.

Melhor Realizador:

Belmiro de Azevedo – O conceituado empresário português tem conseguido, ao longo dos últimos meses, encabeçar um projecto de elevada envergadura no panorama nacional. O filme, mais conhecido por “OPA”, é o primeiro de uma trilogia. Correm rumores de que a segunda saga terá um nome bastante idêntico, alterando apenas numa letra.

Melhor Actor Principal:

José Mourinho – O treinador do Chelsea recebe, pelo terceiro ano consecutivo, a estatueta que só a ele pertence. Desta vez, o prémio deveu-se à sua brilhante interpretação no filme “O Último Rei de Inglaterra”. Este senhor do futebol reagiu à atribuição do prémio de uma forma bastante calma, realçando apenas as suas “gigantescas qualidades como Rei”. Para o ano, José Mourinho já reservou lugar tendo começado a escrever o discurso de vencedor.

Melhor Actriz Principal:

Esmeralda – O seu excelente papel na película “A Rainha” fez com que recebesse o tão aguardado óscar. O filme mistura imagens de ficção com documentais, para reconstituir o modo desadequado como a família biológica lidou com o desaparecimento de Esmeralda. Com toda a onda de comoção que o acontecimento gerou, em contraponto com o Juiz do caso, que tentará gerir a situação com os seus dotes de profissional hábil.

Melhor Argumento Original:

“Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos” – É uma tragicomédia, realizada por Soares Franco, que conta a história de uma família completamente disfuncional, que atravessa Portugal numa carrinha para concretizar o grande sonho do seu elemento mais novo, Paulo Bento. A criança só pensa em vencer o campeonato nacional de futebol O pai pretende fazer fortuna como uma espécie de guru motivacional. Os restantes membros são meras marionetas cujos fios ainda são muito frágeis.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

FIC Notícias - "Os Palhaços não gostam de bananas"

Bem vindos a mais um Fic Notícias! Hoje, faremos o rescaldo do Carnaval.

Muitos foram os palhaços que aproveitaram as férias de Carnaval para andarem na rua livremente. Se, durante o ano, têm de vestir o engomado fato e dar o difícil nó da gravata, nestes dias apenas têm de sair à rua no mais puro do seu ser.

Carnaval no Rio:

Espantem-se as pessoas, mas nesta época carnavalesca não foi o Rio de Janeiro que apareceu nas primeiras páginas dos jornais mas, infelizmente, o Rio Tua. Parece que o incidente surgiu de uma brincadeira entre ambas as linhas daquela zona: “Lá vai uma lá vão duas, três carruagens a voar, uma é minha outra é Tua, outra é de quem a apanhar”. Acontece que ninguém tomou a iniciativa.

Os Palhaços e as bananas:

No arquipélago da Madeira, o Carnaval decorreu da forma habitual. Aliás, nada de especial aconteceu em relação aos outros dias do ano. Muita festa, barulho, e alguns palhaços com bastante jeito para trabalhar no circo. Porém, muitos foram os que apresentaram a demissão visto que já estão fartos de comer bananas. As suas exigências passam, agora, pelos tomates e outros produtos hortícolas.

Os parques da Câmara:

Subindo até à capital, encontrámos o Presidente da Câmara com uma cruz ao pescoço e com um sino na cabeça. Para falar com ele tivemos de subir dezenas de degraus e andar durante largos minutos à procura de um parque de estacionamento. “De que está mascarado, senhor Presidente?” “Então não dá para reparar? De Bom Jesus, de Braga”.

Ainda nesta metrópole, dois velhos amigos voltam a encontrar-se: um vestido de leão, outro de empresário. Tudo por causa de um pinto que voou para o Norte.

Esse pinto irá estar agora sob o comando de outro grande amigo de infância. Juntos formaram uma dupla de puro entretenimento no futebol português!

Foi o País bem no fundo!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Jornal Monizcipal – Tudo por uma letra…

Bem-vindos a mais um Jornal Monizcipal!

Na segunda-feira sentiu-se o maior sismo dos últimos 30 anos em Portugal. O sismo teve o seu epicentro no mar e teve a magnitude de 5,8 na escala de Richter. Após o abanar de velhas mentes que se verificou no domingo, chegou a altura de abanar a própria terra.

Há oito anos, a culpa foi da praia; este ano, a culpada foi a chuva. Se, em 1998, muita areia foi atirada para os olhos das pessoas, já no dia 11 deste mês os portugueses não meteram água. Contudo, a abstenção superou os 50%, o que demonstra o interesse que os portugueses têm no futuro.

O Caso Esmeralda continua nas salas dos tribunais. Após avanços e recuos, o General parece ser a pessoa mais indicada para lapidar este diamante ainda em bruto.

No que respeita à saúde, parece que a Gripe das Aves chegou ao nosso país. A águia do Benfica foi a primeira a ser afectada, após uma forte gripe devido à maresia da Póvoa do Varzim.

Internacional:
A morte de um polícia em Palermo, após a realização de um jogo de futebol da liga italiana, fez com que os jogos se realizassem à porta fechada por tempo indeterminado. É caso para dizer que o nome da cidade revela bem o estado actual do futebol.

Nos Estados Unidos, o senador Barack Obama anunciou a sua candidatura às eleições do Partido Democrata de onde sairá o candidato às presidenciais norte-americanas de 2008. Esta corrida promete ser bastante rápida, uma vez que Obama tem sangue queniano. Questionado acerca dos tumultos que terá de enfrentar, o candidato afirmou que já está “habituado a grandes ondas”. Afinal, ele nasceu no Hawai. Por seu lado, George W. Bush, ao saber da notícia, quis entrar em contacto com Obama para negociar material bélico e petrolífero. Só mais tarde se apercebeu que tinha percebido mal o nome da pessoa… Tudo por uma letra…

D. Afonso Henriques – "Referendo?"

Sejam bem-vindos ao “Grande Jornal”. Este é um espaço que dá voz a quem já não a tem mas transmite as ideias que persistirão para sempre. Desta forma, e tendo em conta a escolha dos “10 Grandes Portugueses”, surgiu a ideia de criar esta rubrica. Os intervenientes irão apresentar este jornal, analisando os acontecimentos mais importantes de cada semana. Para começar, nada melhor que alguém proveniente do “Início”. Colocámos a nossa armadura, apertámos o capacete, pegámos no escudo e desembainhámos a espada para ir ao encontro de D. Afonso Henriques.

“Abaixo os Mouros e os Galegos!!” Desculpem, não sabia que estava “no ar”. Este é o primeiro programa do “Grande Jornal” e o meu nome é Afonso I, mas sou mais conhecido por D. Afonso Henriques. Como é óbvio, não poderia deixar de ser eu a começar, aliás, se não fosse eu ninguém estava aqui. Como já devem ter reparado pelo meu sotaque sou de Guimarães. O quê? Não notaram? Ah, pois, isto é escrito… Pensava que era por videoconferência, como no meu tempo. Continuando… Vamos às notícias mais importantes desta semana:

Nacional:
O Referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez é já neste domingo. Esperem lá, referendo? As pessoas podem votar? Pensava que quem estava no poder é que mandava. Ah, agora é diferente, estou a perceber… Mas já que assim é, votem! Sim ou não, é opção vossa. Sou eu quem o diz! O rei! E não me desobedeçam, senão…

Internacional:
O Primeiro-Ministro José Sócrates deslocou-se à China com vista a estabelecer novas relações comerciais e a reforçar as já existentes. Mas, ao contrário do que se previa, por cá as pessoas é que ficaram de olhos em bico. “Em Portugal, os salários são dos mais baixos da União Europeia”. Foram estas palavras de Manuel Pinho que fizeram com que os portugueses se sentissem puros orientais.

Desporto:
Esta última jornada não foi muito favorável para os meus lados! O meu clube empatou com o Varzim. Mas estão-me aqui a dizer que o fim-de-semana até foi bueno. Bueno?!?!?! Tive eu tanto trabalho para derrotar a minha mãe, Teresa de Leão, e falam-me em castelhano?! O quê? Ah, o Bueno do Sporting… Pois, isto está cada vez pior. No meu tempo, lutei pelo orgulho Nacional contra os Buenos de Castela e mais tarde contra os Mouros, muitos de Alvalade. E agora acontece o contrário.

Quanto ao Benfica, não foi além de um empate. O treinador do Benfica, se quer conquistar o título, não pode apenas pedir ajuda a todos os santos. O meu conselho é fazer o mesmo que eu: em vez de se preocupar com a bola, preocupar-se com a bula do Papa. Já o Jaime Pacheco, para além de sorte, tem visto muitos vídeos das minhas batalhas.

O Porto, por seu lado, não tem estatuto para combater os mouros. Estavam à espera da “estrelinha de campeão”, mas afinal saiu-lhes outra estrela. Há muito tempo que ouço falar que o Porto é uma nação, mas estão muito enganados. Eu é que construí esta Nação que vai de Norte a Sul, passando pela Amadora, pois claro.

Fic Notícias – O País bem no fundo

Bem-vindos a mais um FIC Notícias.

A notícia de abertura é de elevada importância para o país: Frederico vai, finalmente, casar com Floribella. O anúncio do casamento foi feito no episódio nº57.978 desta fantástica novela.

Voltemos às notícias menos importantes:

Portugal está a atravessar um período de muito frio. As temperaturas desceram tanto que, em algumas localidades, chegaram a atingir valores negativos. Contrastando com este ambiente, a luta entre o sim e o não vai aquecendo de dia para dia.

Afinal Frederico e Floribella já não vão casar! É uma triste notícia para o País. Façamos um minuto de silêncio…

Desporto:
A última jornada foi uma jornada bastante religiosa. Senão vejamos: o Benfica participou na Ceia, o FC Porto entrou em tempo de Quaresma e o Sporting continuou a distribuição de boas acções.

Os pastéis de Belém serviram de aperitivo para a refeição. Luisão ficou encarregue de levar o vinho enquanto que Costinha se responsabilizou pelo frango. Jesus foi o anfitrião e Simão o apóstolo convidado. Os Santos também estiveram presentes, bem como uma personagem religiosa do “Código da Vinci”, Silas.

Por seu lado, o FC Porto deslocou-se a Leiria, mas a visita tomou contornos conturbados para a equipa azul e branca. O tempo de Quaresma chegou mais cedo e os sacrifícios irão certamente aumentar.

Foi uma sexta-feira santa para os milhares (para não dizer milhões!) de leirienses presentes no sobrelotado Estádio Municipal de Leiria. Agora, paciência é o que se pede aos jogadores do Porto.

Por fim, o Sporting fez uma boa acção e repartiu o resultado com o Boavista. Bento é que parece que começou a ver pior, uma vez que accionou uma autêntica Via Verde para os seus rivais da 2.ª Circular.

PENÚLTIMA HORA: Frederico e Floribella vão mesmo casar!

Internacional:
O Terrorismo continua a dizimar milhares de pessoas pelo mundo. Mas agora, parece que vai chegar a Portugal. Tudo depende dos resultados do dia 11, não de Setembro, mas de Fevereiro. Quem terá escrito isto? Quem é o responsável pelo teleponto? Senhor Padre, sinceramente... As rotundas da sua cidade devem ter feito a sua cabeça andar à roda.

ÚLTIMA HORA: Casamento cancelado – Frederico e Floribella estão de novo zangados. Parece que se resolverá mais rápido o caso “Apito Dourado” do que o casamento entre estes dois.

Foi o País bem no fundo. Até para a semana!

Entrevista ao Apito – "Podem levar o Rio"

Boa noite! Eu sou a Sentinela Moura Guedes e este é o Jornal Monizcipal! Hoje, pela primeira vez em muitos anos, temos connosco, em videoconferência, o presidente do Futebol Clube do Porto, o senhor Jorge Nuno Apito da Costa. Boa noite, senhor presidente…
Apito da Costa – Logo tinha de me calhar a Moura…

SMG – Diga, senhor presidente?
Apito da Costa –
Nada, nada… Estava apenas a pensar alto.

SMG – Senhor presidente, não posso deixar de lhe fazer esta pergunta. Porque não aceitou o nosso convite de se deslocar aos nossos estúdios em Lisboa?
Apito da Costa –
Ora, porque se eu já a ouço perfeitamente sem a ajuda de microfones e auriculares, imagine se eu aí estivesse…

SMG – Mas então não é nada contra os lisboetas.
Apito da Costa –
Claro que não! Eu até tive um treinador Mouro. E gostava tanto dele que até o chamava de Mourinho.

SMG – Mas diz muitas vezes que gostaria de ver Lisboa a arder.
Apito da Costa –
Eu não disse isso. Apenas prevejo que, brevemente, o meu dragão lançará tantas chamas que vão queimar os alfacinhas… E, além disso, vocês têm um cavaco que arde muito bem. Então agora com um bocadinho de caril ainda vai melhor…

SMG – E se for com um bocadinho de sal? Talvez fique mais saboroso…
Apito da Costa –
Nunca gostei da comida muito salgada. Dá-me a volta ao estômago e à bexiga…

SMG – Os condimentos em excesso não fazem muito bem mas um bocadinho de água ajuda.
Apito da Costa –
Mas eu posso ajudar-vos. Se quiserem, podem vir buscar água ao nosso Rio. Até o podem levar convosco. Não precisamos dele cá em cima.

SMG – Não precisam do Rio Douro?
Apito da Costa –
De ouro? Dessa cor só as lembranças que ofereço aos amigos… Este Rio é mais alaranjado.

SMG – E qual é o seu nome?
Apito da Costa –
Jorge Nuno Apito da Costa, acho que toda a gente já sabe…

SMG – O “seu”, o dele…
Apito da Costa –
Nada do que é meu é dele! Que fique bem claro! E, por falar nisso, desculpe mas tenho que me ir embora. Tenho autocarro para casa dentro de 5 minutos. Dantes tinha quando queria, mas agora não tenho outra escolha. A culpa é do sistema, já dizia o outro mouro… Mas esse tinha Dias.

SMG – Senhor Presidente?... Está aí?... Bem, parece que perdemos contacto com o Estúdio do Dragão. Foi a entrevista possível. Boa noite e não percam, já a seguir, a sobremesa que não se come apenas no fim de cada refeição, mas sim durante todo o dia.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Fic Notícias - Pelo ar...

Enforcamento de Saddam Hussein:
Após ter morto milhares de inocentes durante o período que esteve no poder, o ditador iraquiano foi condenado à pena capital. De facto, foi uma pena a forma como o Quim Barreiros do Iraque foi tratado. Largos meses sem tomar banho fizeram com que os seus companheiros o acompanhassem de capuz, tal era o cheiro. As forças especiais ainda pensaram que estavam na presença do presidente de outra nação, mas as dúvidas rapidamente se dissiparam quando foram informados que esse estaria condenado à cadeira (do tribunal).

Papa recusa convite para ir a Fátima:
Bento XVI rejeitou o convite que lhe foi endereçado para visitar o Santuário de Fátima. Segundo o Sumo Pontífice, “não quero ir a Fátima porque não gosto de andar de avião. E daqui até ao Brasil ainda são umas horas”. Após ter sido elucidado de que Fátima se encontrava em Portugal, Joseph Ratzinger ficou incrédulo com a existência de tal país. “Pensava que Fátima ficava no Brasil… Mas gostei muito daquele milagre que a Senhora fez. De facto, um saco azul faz milagres…”

Luisão desloca-se a Coimbra:
O defesa-central brasileiro integrou o estágio do Benfica que se deslocou, no passado domingo, a Coimbra para defrontar a Académica. Luisão jogou a titular e muito seguro na defesa. Segundo o próprio “Pô, eu vi aqueles caras de verde fluorescente, e fiquei na dúvida se eram agentes da GNR. Por isso abrandei o meu jogo.” O defesa-central que costuma meter água quando joga, resolveu mudar de bebida e até já confirmou a sua presença na próxima Queima das Fitas de Coimbra, que se realizará no mês de Maio.

Voos da CIA:
“É um avião? É um helicóptero? É um ovni? É o super-homem? Não! São os prisioneiros de Guantanamo!” Estas questões foram colocadas por vários transeuntes que passeavam junto ao aeroporto de Lisboa, no ano passado. É caso para dizer que “o deportado foi descoberto pelo deputado (ou deputada)”.

André Pereira
http://www.odespertar.com.pt/sartigo/index.php?x=1974

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Problema de Audição: "Desconfiamos do apito"

João Vieira Pinto sentiu-se mal e deslocou-se a Coimbra para ser observado. Após inúmeros exames, o famoso jogador de futebol surpreendeu tudo e todos ao sair pelo próprio pé das instalações. Inesperadamente, João Pinto conseguiu percorrer os três metros que o separavam do carro sem a ajuda de ninguém e sem ter esboçado uma única simulação de falta. Contudo, ao ser confrontado com algumas questões dos diversos jornalistas que se encontravam à saída, João Pinto fingiu não ter ouvido e entrou no automóvel, desprezando, por completo, todos os meios de comunicação social. Mais tarde, o responsável pelos tratamentos do jogador, convocou uma conferência de imprensa para explicar a situação:

Médico – Boa tarde a todos! O cidadão João Vieira Pinto dirigiu-se às nossas instalações não para tratar de uma lesão no joelho, como se suspeitava, mas sim devido a um problema auditivo.

Diário de Fictícias – O jogador encontra-se com problemas de audição?
Médico –
Podia repetir a pergunta? Não ouvi bem…

DF – Parece não ter sido o único… Qual é o problema concreto do João?
Médico –
Já há uns meses que o nosso cliente, perdão, o nosso paciente se queixava de imensas dores de cabeça mas nunca se deslocou ao nosso hospital para ser observado. Até que um dia, um senhor muito seu amigo, o trouxe a nós para ser sujeito a observação.

DF – Quem é esse senhor? Alguém conhecido?
Médico –
Não posso revelar o nome, como é óbvio, mas posso-lhe dizer que gosta muito de animais… Desde dragões (pintados a ouro) até águias e leões… Ele próprio já foi o rei da selva, mas agora tem andado um pouco em baixo.

DF – Deve ser muito boa pessoa… Em relação ao senhor Pinto, quais foram as suas declarações quando esteve perante os médicos?
Médico –
O senhor Pinto não chegou a vir, porque, por coincidência, tinha ido de fim-de-semana para Espanha, com a sua esposa.

DF – Pois, mas não era esse senhor Pinto de que eu estava a falar… Referia-me ao João.
Médico –
Ah, peço imensa desculpa! Deixe-me acender um cigarro que eu já fiz asneira.

DF – Mas fumar faz mal! E o senhor é médico, deveria dar o exemplo!
Médico –
Não é bem assim… Olhe, quando veio cá o tal senhor, o tabaco foi a nossa salvação, caso contrário, teríamos que o observar ao ar livre.

DF – Mas, e o João?
Médico –
Pois, o senhor João Pinto respondia de uma forma muito estranha às perguntas que lhe colocávamos. No mês passado, um senhor muito franco, decidiu enviá-lo até nós. E só nessa altura é que descobrimos que havia qualquer coisa de errado. O senhor João não respondia da mesma maneira. O diagnóstico foi óbvio: problemas de audição.

DF – E encontraram alguma coisa que pudesse ter causado estes problemas?
Médico –
Nós desconfiamos do apito do árbitro.

DF – Não me diga que também está envolvido no caso que tem abalado o futebol português…
Médico –
Não, claro que não! Refiro-me ao som do apito que o João ouviu durante anos. Pudera, estava sempre a sofrer faltas.

DF – E quais são as medidas a tomar?
Médico –
Com a experiência que tenho, o nosso paciente ou vai mais uma vez ao tapete (curiosamente verde) ou então pede ajuda ao Bom Jesus de Braga.

André Pereira

sexta-feira, janeiro 05, 2007

2007 - O Jardineiro e o Filósofo

Após a tradicional contagem decrescente e os altos voos das rolhas de espumante, a vasta equipa do Diário de Fictícias reuniu-se e teve a ideia mais original de todos os tempos, convidar uma importante personalidade que pudesse prever os principais acontecimentos do novo ano.

Após longas horas de exercício mental, e tendo em conta o título do nosso diário, o nome escolhido foi o de Maia, essa pequena e amarelada abelha, conhecida em Portugal pelas suas manhãs cor-de-rosa.

Diário de Fictícias – Bom dia, senhora Maia. Antes de mais, agradeço ter aceite o nosso convite para esta pequena sessão. Já lançou as cartas para 2007?
Maia –
Sim, e consegui descobrir coisas bastante interessantes.

DF – Ah sim? Em relação à Justiça, haverá alguma mudança tão radical que faça com que finalmente funcione?
Maia –
Eu não faço milagres, apenas prevejo o que realmente vai acontecer.

DF – Peço desculpa, a minha pergunta também não foi muito inteligente… Por falar em inteligência (ou na falta dela), como prevê o penúltimo mandato de George W. Bush?
Maia –
Será um ano muito trabalhoso para a administração norte-americana, que terá de escolher um novo hino nacional para suceder ao “Pombinhas da Catrina”, do ano passado. Talvez uma música da Floribella possa dar jeito.

DF – A Floribella foi um sucesso em 2006. Continuará neste ano?
Maia –
As pessoas continuarão a andar de saia, mas com outra que não a desta pobrezinha. E as danças também serão outras. Por exemplo, o novo formato do “Dança Comigo”, que durará o ano inteiro, terá um par fixo todas as semanas: não me recordo dos nomes dos dançarinos mas um é um famoso jardineiro e outro um importante filósofo, pelo menos de nome…

DF – As suas previsões, como sempre, têm sido bastante esclarecedoras. Não nos pode informar de forma mais concreta e objectiva?
Maia –
Claro que sim. Por exemplo, o futebol vai deixar de ser jogado nas quatro linhas para passar a ser jogado na linha.

DF – Mas porque diz isso?
Maia –
Ora, não viu o presépio do Senhor Futebol? Era composto por Maria, José e pelo (mor)Gado. Jesus fugiu assim que os juízes verificaram o número de pessoas envolvidas no “Apito Dourado” (Jesus, tanta gente!!!).

DF – No que diz respeito à nossa Economia, será este o ano da retoma?
Maia –
Claro que sim! O País irá crescer tanto que as pessoas continuarão a vir para a rua festejar!

DF – Continuarão? Mas 2006 foi um ano repleto de protestos contra o Governo… E estamos em crise.
Maia –
Não sei se lhe podemos chamar crise, quanto a mim tem sido uma crise essencialmente mental, até porque os Portugueses já ganharam várias vezes o Euromilhões, os deputados viajam frequentemente para o Brasil, as pessoas continuam a viver bastante bem e a comprar muitos artigos de luxo…

DF – Não é bem assim! Ontem, por exemplo, fui jantar fora ao melhor restaurante da cidade, no meu automóvel topo de gama descapotável e, quando estava a pagar a conta com um dos meus 23 cartões de crédito, notei que as pessoas estavam muito deprimidas… Mas deixemo-nos de coisas tristes, qual será o maior acontecimento do ano?
Maia –
O maior acontecimento do ano será… ai, tenho de me ir embora! Desculpe mas só lho posso dizer depois deste ter acontecido. Sabe, nós os videntes, regemo-nos pelo mesmo padrão do terceiro segredo de Fátima…

DF – Senhora Maia, onde vai? Ora, esta é que eu não esperava... Deve ter visto o Calimero…

*As vogais e as consoantes, os hífens e os números, os pontos finais e as reticências, os acentos e os pontos de interrogação, todos unidos, desejam aos nossos leitores um excelente ano novo!

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Entrevista ao Ano 2006 - "É preciso muita dranquilidade"

Diário de Fictícias – Bom dia, senhor 2006!
2006 –
Diga? Vai ter que falar mais alto… Já estou muito velhinho e não tenho a genica de outros tempos…

DF – Queria falar consigo sobre a sua vida que, apesar de curta, foi muito conturbada…
2006 –
Sim, tem razão. Tenho de aproveitar ao máximo os 12 meses que tenho de vida e, frequentemente, faço aquilo que não devia. Mas, como diz o povo, a vida são 365 dias e o Carnaval são 366…

DF – Desculpe, mas está a fazer alguma confusão... “A vida são dois dias e o Carnaval são 3”. Esta é a citação correcta.
2006 –
Pois, mas disseram-me que aqui em Portugal o Carnaval é durante todo o ano… E eu próprio notei isso durante este período…

DF – Como assim? Viu muita gente a desfilar nas ruas ao som do samba?
2006 –
Neste país, o Carnaval é muito diferente do do Brasil, mas vi muitas palhaçadas. No que diz respeito à música, apesar de este ter sido o ano de Mozart, estava sempre a ouvir o Bailinho da Madeira.

DF – Gosta que lhe dêem música, portanto… Que balanço faz dos seus primeiros meses de vida?
2006 –
Bem, essencialmente, tentei continuar o trabalho do meu pai. Aqui em Portugal, as nossas gerações não são muito diferentes, até porque raramente há uma mudança significativa de mentalidade. Foi eleito um novo Presidente e, por coincidência ou não, arderam mais uns cavacos por este país.

DF – Este ano o país não poderia deixar de arder… Afinal houve quem tivesse festejado o dia da Besta…
2006 –
Desculpe mas eu não gosto que tratem assim as pessoas. Se não gosta daquele senhor do Norte, não tem que lhe chamar nomes…

DF – O dia da Besta foi no dia 6/6/6… Não é minha intenção criticar ninguém. Aliás, se precisasse de o fazer, acho que escreveria um livro…
2006 –
Ah, sim… Pensava que estava a falar de outra pessoa. Mas, já agora que fala em literatura, parece que surgiu uma publicação que tem sido o Sol deste fim de ano. Aliás, tem colocado muita gente à sombra e, por vezes, ao bater nos objectos dá-lhes uma cor dourada… Mas não me posso pronunciar sobre esse assunto… Ainda não li o livro. Só falo em tribunal e na presença do meu advogado.

DF – No que respeita a filmes, qual foi o seu preferido?
2006 –
Gostei bastante da adaptação a cinema do “Auto da Barca do Inferno”, do Senhor Gil Vicente, porque mistura vários géneros: desde o terror, passando pelo drama e acabando na comédia. Também gostei muito de um filme franco-italiano, em que, no final, o mau da fita dá uma cabeçada no inimigo.

DF – É inédito alguém entrevistar um ano, como eu estou a fazer, entrevistando-o a si. Talvez devêssemos entrar para o Guiness… O que acha?
2006 –
Tenha calma, é preciso ter muita “dranquilidade”, como diz o senhor Bento.

DF – Mas, normalmente, as palavras do Bento não são muito bem-vindas no mundo islâmico…
2006 –
Referia-me ao Paulo, o treinador dos leões!

DF – Ah, peço imensa desculpa! Acho que é das horas… Está a ficar tarde e temos de ir. Ainda tenho que ir fazer um doce para a noite de Natal.
2006 –
Talvez seja isso. Eu não gosto muito de açúcar, prefiro salgados…

DF – Como eu o compreendo… Gostei muito de ter falado consigo, foi muito amável para com o Diário de Fictícias.
2006 – Ora essa, o prazer foi meu. Brevemente virá a minha substituição. E certamente ninguém sairá para as ruas a protestar…

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Conto de Natal - Reis de Belém

O Diário de Fictícias, envolvido por este espírito que envolve todo o mundo cristão, mas, essencialmente, todo o mundo EUROpeu, decidiu acompanhar os Reis Magos e ir à Terra Natal entregar alguns presentes ao menino.

– Basta seguir aquela estrela – disse Belchior.
– Mas aquela estrela leva-nos até Sintra, e não a Belém, que é onde queremos ir – responde Baltazar.
– Ele tem razão, Belchior. Devemos antes guiarmo-nos pelo nosso GPS, e não fazer como aquele senhor que, apesar de gerir a empresa SGPS, não se soube orientar. E nós não queremos aparecer na lista de devedores ao fisco, pois não? Muito menos que as nossas companheiras publiquem um livro a incriminar-nos – diz Gaspar.
– Segundo o sistema, devemos ir por aquela rua – afirma Baltazar, apontando a direcção.
– Por aí vamos dar ao estádio de futebol onde também mora um Jesus, mas não é bem esse que queremos encontrar. – remata Belchior.

Assim começou a longa viagem que os três Reis Magos e a nossa equipa de reportagem fizeram até à Terra Prometida*. Chegados a Belém, deparámo-nos com um luxuoso palácio, protegido por guardas imponentes. Fizemos as apresentações, mostrámos os convites e, após terem verificado se nos encontrávamos bem vestidos (o essencial era ter o cinto bem apertado), os guardas que, apesar da noite escura se encontravam de óculos de sol, abriram a porta e entregaram-nos um cartão de consumo mínimo.

Algo incrédulos com aquela recepção, dirigimo-nos ao local onde se encontrava a família reunida, à volta de um cavaco em chamas que aquecia a casa.

– Boa noite, senhores! – disseram em coro os Reis Magos – Cada um de nós tem uma prenda para vos oferecer.
– Senhor José, para si tenho esta caixa de ferramentas. Como bom carpinteiro que é, espero que faça bom uso para tratar da Madeira. E, como sei que também tem dotes de jardinagem, ofereço-lhe estas rosas para plantar.
– Obrigado Belchior, agora é a minha vez de oferecer a minha prenda à “nova inquilina”. É uma caixinha com ouro, mas cá dentro tem um objecto que anda, literalmente, na boca de muita gente… Espero que faça melhor uso que os habituais utilizadores…
– Por último – continuou Gaspar – tenho este espremedor de laranjas para o senhor Silva. Devido às críticas de que tem sido alvo, acho que este é o presente ideal.

A família agradeceu calorosamente aos Reis Magos que, após terem cumprido o consumo mínimo através do pagamento de vários impostos, abandonaram o local sem a certeza de voltarem no próximo ano.

*Terra Prometida não no sentido de estar na agenda de aquisições de alguém mas sim porque é lá onde se fazem muitas promessas.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Entrevista à Saia da Carolina - "Sou saia de uma só pessoa"

Diário de Fictícias – Olhe desculpe… por favor… com licença… Olhe, saia da frente que eu estou a trabalhar!
Saia –
Eu até saía mas depois não tinha entrevistado...

DF – Ah, peço imensa desculpa, mas não reparei… Está muito diferente desde a última vez que a vi…
Saia –
Sim, a minha vida sofreu algumas alterações. E é por isso que convoquei esta conferência de imprensa, para mostrar ao país, e também ao mundo, que eu sou saia de uma só pessoa.

DF – Como assim? Sinceramente não estou a perceber…
Saia –
O meu nome, hoje em dia, anda na boca de toda a gente. Não vamos mais longe, há bocadinho você empurrou-me, “Saia da frente!”. Na televisão utilizam-me até ao esgotamento, coitadinha da Floribella. Para não dar outros exemplos! Mas eu, em exclusivo para o Diário de Fictícias, venho dizer, publicamente, que sou saia de uma só pessoa! E essa pessoa é a Carolina!

DF – A Carolina? Não estou a ver quem seja…
Saia –
Não sabe quem é a Carolina? Onde está a sua cultura literária e musical? Uma excelente dançarina como ela e não sabe… Sinceramente…

DF – Não me diga que está a falar “daquela” Carolina…
Saia –
Não se lembra da Carolina? “A saia da Carolina tem um lagarto pintado, sim Carolina ó i ó ai, não Carolina ó ai meu bem”. E a saia sou eu, mas não era verdadeiramente um lagarto que eu tinha pintado, era mais um camaleão, mudo facilmente de cor.

DF – Confundi com outra Carolina que, por acaso, também tinha um animal, mas fantasioso…
Saia –
Ah, estou a ver… Aliás, tinha dois: um pinto e um outro que cuspia muito fogo, mas parece que agora se anda a queimar. Enfim, quem brinca com o fogo queima-se, não é verdade?

DF – E o que tem a dizer da Rosa?
Saia –
Desde já lhe digo que não irei divulgar a minha preferência política! Tanto posso ser rosa, como laranja, azul ou até encarnada.

DF – Não é isso… Estou a falar da Rosa pessoa…
Saia –
Ah sim, a Rosa. Peço desculpa mas agora eu é que fiquei confusa. Já não bastava a Rosa que só me arredondava, arredondava… Todos os dias andava tonta, por essa razão é que decidi dar o direito de exclusividade à Carolina.

DF – Quais são os objectivos futuros?
Saia –
O meu maior desejo é ser reconhecida na rua como a saia que, não só tapou as pernas, como também os olhos de muita gente. O apito final ainda está longe, mas quando chegar a altura, espero fechar este ciclo com chave de ouro.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Fic Notícias - Cartas ao Pai Natal

Em todo o lado se ouvem os cânticos de Natal, as ruas vestem-se de cores vivas para chamar a atenção de quem nelas passeia e as luzes brilham fazendo das noites dias luminosos. As crianças, junto à lareira, pegam numa caneta e num pedaço de papel e escrevem os seus sonhos para enviar para o Senhor das Barbas Brancas. Mas não só as crianças o fazem, também muitos adultos, e alguns, bem conhecidos por todos nós.

Fátima Felgueiras:
“Oi cara, você me pode trazer o que quiser mas, em vez de ser num saco encarnado, preferia que as prendas viessem num saco azul.”

Floribella:
“Olá Pai Natalzinho! Eu queria que as crianças fossem muito felizes e que houvesse paz no mundo. Eu sou muito pobrezinha, super-hiper-mega-ri-pobrezinha e o meu principezinho não gosta de mim…”

Teixeira dos Santos:
“Vamos cá ver, o shôr Nicolau anda de país em país no seu trenó e não paga os seus impostos? Quanto às renas, tem licença para andar com elas? Venham daí esses euritos.”

Pinto da Costa:
“Estou a escreber-te esta carta para entregares algumas prendas a estes senhores de negro. Para mim não quero nada porque nunca me dei muito bem com indibíduos de bermelho. Penso eu de que….”

Papa Bento XVI:
“Eu gostava que me oferecesses um barrete igual ao teu. É que eu já dei um quando “declarei guerra” aos muçulmanos.”

Luís Filipe Vieira:
“Camarada Pai Natal! Como prenda queria um bom treinador. E, já agora, como grande benfiquista que o senhor é, vai-me comprar um kit de sócio do Glorioso. E as suas renas e os seus duendes também porque eu sei, e toda a gente sabe, que o Benfica é também o Maior do Mundo Imaginário.”

Poesia - Quadras de um País

Depois de semanas inquietas
Em que tudo se contestou
Decidimos fazer de poetas
E escrever o que se passou.

Os estudantes fecham a escola
Criticam a governação
Preferem jogar à bola
A ter aulas de substituição.

A temperatura está alterada
Balança entre o calor e o frio
Metade do país está alagada
Outra passeia no Rossio.

Há números que fazem sonhar
E outros que nem queremos ver
Os primeiros permitem viajar
E os últimos sobreviver.

E o nosso rico futebol
Segue o seu itinerário
Faça chuva ou faça sol
É comandado pelo empresário.

E para quem gosta de dançar
E fazer as coisas à sua maneira
Nada melhor que arranjar par
Para um bailinho da Madeira.

Tudo o que acima foi escrito
É o retrato desta Nação
Que deseja sempre o infinito
Mas nunca tira os pés do chão.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Alunos e professores unidos: “Queremos ir para casa estudar!”

São 8h30 da manhã. O dia está escuro e sopra um vento agreste que dá vida aos ramos das árvores e levanta as folhas espalhadas pelos passeios… Contudo, ao contrário do que se possa pensar, a rua está repleta de pessoas que, tremendo tanto como varas verdes, seguram cartazes e gritam palavras de ordem. A campainha toca pela primeira vez mas ninguém parece ouvir. Os portões estão fechados e a chuva bate constantemente nas placas de zinco que abrigam alguns professores.

Pela primeira vez em muitos anos, a escola vê todos os seus professores e alunos no seu recinto e em luta pelos mesmos ideais. É hora de ir para a aula, mas “mais importante que aprender é, seguramente, lutar pelos seus direitos e protestar contra a política vigente”, são estas as palavras de um professor que se manifesta neste dia chuvoso.

Entoando conhecidos gritos de guerra, adaptados à situação em que nos encontramos, professores e alunos unem-se numa só voz e gritam cada vez mais alto, ao verem que estão a ser filmados e entrevistados pelo Diário de Fictícias e outros meios de comunicação.

É neste ambiente de antítese com o tempo que se faz sentir que pedimos a opinião de alguns manifestantes:

“Epa, somos estudantes e não concordamos com as aulas de substituição porque se tivéssemos feriado íamos para casa estudar, pah!”
Estudante

“Eu não sei a razão do protesto mas acho muito bem porque assim não temos aulas.”
Estudante

“Estamos todos unidos contra esta política de discriminação e achamos que a senhora ministra deveria saber o que custa dar aulas das 9h às 16h, ter férias de 2 meses, e escolher o seu próprio horário que mudaria de opinião em relação a nós”
Professor

André Pereira

quinta-feira, novembro 16, 2006

Governo Fictício corta despesas - Proposta de Orçamento 2007

O Diário de Fictícias apresenta, em primeira-mão, a proposta orçamental do Governo Fictício para o ano de 2007. É de fonte segura que confirmamos este plano governamental, passando, desde já a invocar as principais áreas a serem atingidas:

Economia:

A Economia irá crescer de uma forma gradual, especialmente devido às bases em que se irá sustentar. Os passeios irregulares serão substituídos por bancos que, limadas algumas arestas, tornarão a subida mais segura e confortável.

Desporto:


No próximo ano prevê-se um aumento de agentes da polícia nos estádios de futebol. Isto porque Jorge Costa irá fazer parte da equipa técnica do Sporting de Braga e, após ter visto tantas vezes a cor vermelha em forma de cartão irá agora vesti-la. Até aqui tudo normal, não fosse o facto de o antigo jogador do FC Porto gostar muito de a ver na pele dos adversários.

Descendo até à capital, os trabalhadores do metro de Lisboa já puseram mãos à obra com vista a construir um Tonel que ligará Portugal ao Brasil. Esperemos que não seja mais um Canal da Mancha.

O Chefe de Estado já convocou uma reunião com o Presidente do SL Benfica com vista a assinar um pacto de união entre Nações. Se este encontro tiver os efeitos previstos pelo Governo, Portugal será, à semelhança do Benfica, o maior País do Mundo.

Sociedade:

Há uma nova esperança para os desempregados em Portugal. O Governo propõe um plano de migração para a Madeira, a fim de tratar dos jardins e dos pomares do arquipélago. A falta de jardineiros é uma realidade naquela região e as laranjas são cada vez menos nutritivas.

Ambiente:

O Governo aprovou um plano com a intenção de tratar os resíduos tóxicos em Portugal. A fábrica de Souselas foi a escolhida, mas o método será diferente. Uma reunião entre o Ministério do Ambiente e o Chefe dos Lixos Tóxicos fez com que se chegasse a um acordo mútuo: todos os lixos irão fazer greve e prometem não vir para a rua fazer manifestações. Assim, o caso ficará resolvido, pelo menos durante o próximo ano.

André Pereira

Diário de Vendas - 99% de Desconto*

Não se espantem os leitores com o título desta rubrica. O Diário de Fictícias não abandonou o mundo das letras para se dedicar ao comércio de qualquer outro produto. O único diário semanal optou por dar um passo rumo ao desconhecido, dedicando as próximas linhas à divulgação e recomendação de variados produtos que se podem tornar utensílios indispensáveis, tendo em conta a sociedade em que vivemos actualmente.

Graxa – Numa altura em que a aparência é mais importante do que a essência, nada melhor que ter sempre à mão (ou melhor, ao pé) uma pequena caixinha de graxa. Se a utilizar conforme está indicado no rótulo, poderá subir muitos degraus na carreira política. Isto porque os sapatos se tornam mais resistentes, pois claro…

Colete Salva-vidas – O mau tempo vai chegando e, com ele, outras inundações irão causar alguns danos. Mas, para evitar males maiores, nada melhor que ter bem colado ao corpo um colete que, para além de o proteger de outros perigos, impede que se afogue mais em dívidas. Muitos são aqueles que se vestem de gala mas esquecem-se que actualmente vivemos num Titanic moderno: mais tarde ou mais cedo iremos bater com um iceberg que nos chama à realidade e aí, será tarde demais.

Martelo – Qualquer cidadão responsável tem na sua garagem, junto de todas as outras ferramentas, um martelo que é essencial para construir, arranjar ou destruir, conforme a situação. É a ferramenta mais importante de qualquer carpinteiro, uma vez que trabalha com a madeira e, por vezes, é preciso uma boa martelada para ela amolecer. Basta de bichos da madeira!

Cartaz – Hoje em dia, mais importante que saber ensinar ou até mesmo aprender, é ter um cartaz com frases de ordem e insultuosas contra alguma coisa. Pode-se até nem saber do que se trata, mas é essencial ter um!

* Brevemente, será este o número percentual que iremos descontar para a Segurança Social

Entrevista à Lata - Lata Enlatada

Hoje o dia começou mais tarde para a maioria da população estudantil de Coimbra. Já o sol tinha dado lugar à lua quando as capas negras se levantaram para mais uma noite alegre.

O fuso horário já havia mudado, contudo, nestes dias de festa a Torre da Universidade congela os ponteiros, e o badalar dos sinos é substituído pelos ritmos ensurdecedores vindos do outro lado do rio.

Mas para conhecer verdadeiramente o que se passa na outra margem, nada melhor que dar a palavra à personagem principal deste autêntico filme nocturno.

Diário de Fictícias – Boa noite, Senhora Lata!
Lata –
Olha quem ele é… É preciso ter-me para vir falar comigo. Depois do que aconteceu entre nós…

DF – Desculpe, mas não estou a perceber. O que aconteceu?
Lata –
Não se lembra? Já me andou a arrastar pelas ruas de Coimbra…

DF – Sim, mas já lá vai o tempo. Falemos do que interessa. Como se sente nesta altura do ano, em que uma cidade vive para si?
Lata –
Sabe, já estou habituada a este protagonismo. Durante o ano, os estudantes preferem a garrafa e o copo, mas para começar nesta vida nada melhor que ter lata.

DF – Isso é verdade! É preciso coragem para ficar acordado horas e horas a fio durante a noite e no dia seguinte faltar às aulas…
Lata –
Faltar a quê? Eu sou a verdadeira universidade neste início de ano, e olhe que os meus alunos são assíduos e pontuais! Para além de não faltarem, esgotam em segundos as minhas salas de aula.

DF – Alguns clientes do seu espaço dizem que se sentem como sardinhas enlatadas quando assistem às suas aulas…
Lata –
É normal sentirem-se como sardinhas, não é por acaso que nos encontramos junto ao rio…

DF – Mas o Mondego parece não ser apenas uma fonte de sardinhas… Há rumores de alguns tubarões…
Lata –
Sim, confirmo esses boatos. E, como muita gente já reparou, tive de os colocar na entrada do recinto… Podem não ser muito comunicativos e até mesmo violentos para com as pessoas, mas não tinha outra opção. O mais que pude fazer foi convidar o cão do Mickey, um tigre e alguns GNR para ver se conseguem acalmar os ânimos.

DF – Mas no final é habito a festa acabar em xutos e pontapés… Bem, o nosso tempo está a chegar ao fim, mas ainda há uma última questão que lhe gostava de colocar… Qual é a sua ideia em relação ao estado do Ensino em Portugal?
Lata –
Eu acho que o ensino vai muito bem e a crise económica de que tanto se fala não tem tido repercussões na minha actividade. Antes pelo contrário, a cada ano que passa vou ganhando adeptos. Até já pensei em fazer uma OPA à UC.