segunda-feira, julho 10, 2006

Ulisses, Século XXI

Bora lá construir um cavalo de pau, e dentro do bucho dele metemos people ajoelhado

Alunos do 6.º E da Eugénio de Castro despediram-se das aulas com um teatrinho. Aproveitaram para dar a volta (e que volta!) à Odisseia, de Homero. Aqui reproduzimos alguns excertos.

Sketch 1

Páris – (com ar sensual) Helena minha babe vo´te raptar!!!
Helena – (muito assustada) Nãããããooooo!!!
Narrador – Ulisses um coxe chateado, baza pa Tróia.
Ulisses – (narrando) Passados dez anos aqui sobre o cerco de Tróia, (pensativo) eu tive um flash: (vira-se para os marinheiros) bora lá construir um cavalo de pau, e dentro do bucho dele metemos people ajoelhado.
Páris – (determinado) Como já passaram alguns dias de cena calma, tenho a certeza que acabou a guerra! Bora recolher o raio do animal do cavalo pa dentro da cidade e fazer uma raive de três dias.
Ulisses – (ele e os marinheiros escapam-se) Com os Troianos ganzados já podemos bazar do bandulho do cavalo, chamar os brothers e bazar pa arrasarmos a city toda.
Narrador – Depois de acabar a guerra de Tróia, Ulisses e os seus “manos” só queriam regressar a Ítaca; porém foram desviados por um corrente submarina e atracaram na Ciclópia.

Sketch 2

Turma toda – (interrogando-se) Ciclópia???
Marinheiros – Ya! (informando) Tipo o people desta terra são os Ciclopes, têm um só olho no meio da tola e alimentam-se à base de carne humana.
Ulisses – Alto aíííí e para o baile!!! Esta ilha está desabitada!
Dois marinheiros – (ao mesmo tempo com um ar de gozo) Upa, upa, puxadote..
Marinheiros – (contradizendo Ulisses) Tás enganado, nesta ilha também habita um troll (alguém se ri) Polifemo, que por ser demasiado agressivo pós outros, foi enviado para aqui, onde vive sozinho e bem acompanhado (ri-se) com as ovelhas!!!
Outro marinheiro – (falando em nome de todos) Nós temos é medo que ele nos veja, é melhor escondermo-nos dentro de uma gruta que há aqui perto.
Outro marinheiro – (com ar irónico) Ganda pontaria! Fomos memo para a gruta doutro troll!
Polifemo – (irritado) Já estou farto!
Ulisses – (com ar solidário) Toma, isto é Caipirão feito com Licor Beirão. Depois de teres comido tanta carne, deves estar com sede!
Polifemo – (saboreando) Mmm, gostei, sabe a Verão! Ok, vais ser o último a bater as botas! E já agora qual é o teu nome rapazinho?
Ulisses – (responde) Ninguém…
Um marinheiro – (sussurrando e feliz) Tive uma luz! Vamos afiar um ramo de árvore fino e vamos torná-lo incandescente nas cinzas da fogueira.
Polifemo – (pedindo socorro, muito aflito) Ai, socorro meus irmãos! Ninguém está aqui, ninguém! Querem matar-me! Ai tou que nem posso!!!
Outros ciclopes – (respondendo à “loucura” de Polifemo) Vai mas é beber uma Frize Limão Cola, a OPA do povo! Já que estás com dor de dentes!!!
Um marinheiro – (diz para o outro ao lado) Por acaso até é verdade que a Frize é a OPA do povo, já falaram com a CNBN e ela diz que a OPA é baril!!!
Ulisses – (aproveitando o sucedido) Vamos mas é dar de frosques e continuar a viagem!

Sketch 3

Ulisses – (espantado) Onde estamos?
Rei Eolo – (dando e aconselhando) Estão na Eólia. Vou dar-vos dar um saco que tem todos os ventos e tempestades, mas ninguém o pode abrir!
Marinheiros – (admirando o saco) Isto é tão beautifull! Bora lá abrir!!!
Ulisses – (espantado com a reacção dos marinheiros) Vocês ouviram aquilo que disseram? Não vão abrir coisa nenhuma! Vamos mas é bazar já daqui!
Vão explorar o terreno, que eu fico a guardar o saco pa ninguém o gamar.
Circe – (contente por ver mais umas vitimas, com ar cínico) Hi! Hi! Hi! Mais uns amiguinhos. Venham, entrem… Vou preparar o licor.
Euríloco – (espantado, a falar com Ulisses) – Nem sabes o que eu vi! Circe, a deusa que reina aqui, transformou todos os teus marinheiros em animais roncantes, em porcos!
Ulisses – (vingativo) Ela já vai ver quem é que brinca melhor!!!
Minerva – (dirigindo-se a Ulisses) Toma esta erva da vida que te dará uma fezada…Uau, que máximo!!!
Toda a turma – (todos ao mesmo tempo) A erva que parecia canábis mas não era, protegeu-o, mas não impediu que Circe o aprisionasse.
Circe – (informando) Ninguém deveria bazar daqui mas como eu me apaixonei pelo Ulisses vou-vos deixar dar a pira. (impondo condições) Mas têm de fazer obrigatoriamente duas coisas: dirijam-se à ilha dos Infernos para falarem com o Profeta Tirésias (Titi para os amigos); e quando passarem pelo mar das sereias tapam os ouvidos com cera viscosa, ou então serão seduzidos ou mortos!

sábado, julho 08, 2006

Entrevista ao Papel - "Todos somos papel"

Diário de Fictícias – Antes de iniciar esta entrevista, gostaria de agradecer a sua disponibilidade em aceitar este nosso convite.
Sr. Papel –
Ora essa, eu é que agradeço por, finalmente, alguém me utilizar de forma adequada.

DF – Como assim?
Papel –
Hoje em dia tenho encontrado muitos problemas, talvez o mais importante seja a preferência das pessoas pelo meu maior concorrente, o Computador. Por isso fico contente por me utilizar para este seu trabalho.

DF – O Computador ocupa um lugar essencial na nossa sociedade…
Papel –
Sim, e, por um lado, eu até concordo porque facilita a vida às pessoas, a muitos níveis. Por exemplo, os documentos podem ser arquivados sem ganhar pó, podem ser guardados num espaço ilimitado… Reconheço a importância do Ciberespaço. Contudo, fico triste ao assistir ao desaparecimento de coisas que já faziam parte da nossa vida… Já não se enviam cartas de amor pelo correio, a compra de livros tem diminuído, os bilhetes trocados entre namorados foram substituídos pelos sms… Muita coisa mudou… Agora tudo o que encontramos no “mundo real” encontramos no “mundo virtual”, e até em maior quantidade.

DF – Isso não traduzirá a inovação tecnológica que varre quase todo o planeta?
Papel –
Esse é um tema um pouco ambíguo, uma vez que inovação tecnológica pode não querer significar melhoria da qualidade de vida. Os objectos electrónicos são muito importantes mas também têm as suas desvantagens… Hoje em dia, se um sistema electrónico falhar, pode causar danos a muitas pessoas. As máquinas têm-se apoderado do ser humano.

DF – Segundo estudos recentes, o seu consumo – falo do papel, naturalmente –, nesta “era dos computadores” tem vindo a aumentar, contrariando todas as previsões.
Papel –
Sim, no início tudo parecia prejudicial, mas acabou por ter aspectos positivos, uma vez que os próprios computadores fazem com que eu e a minha família sejamos mais utilizados… Eu até tenho uma boa relação com o Computador, mas acho que, por vezes, sou preterido em relação aos ficheiros electrónicos.

DF – O que recorda com mais saudade dos seus tempos de infância?
Papel –
Quando eu nasci, há mais de 2000 anos, na China, fui considerado uma descoberta incrível. Lembro-me de ser, nessa altura, muito bem visto e idolatrado por muitos. Tinha um “papel principal”.

DF – Actualmente, reparte o pódio com outras invenções…
Papel –
Sim. E isso não me incomoda nada. Sabe, todos temos papéis diferentes… Somos todos necessários à sociedade.

DF – Quais são as áreas da sua preferência?
Papel –
Sou muito ligado aos trabalhos manuais, à literatura, ao teatro, ao cinema, à economia... Resumindo, gosto muito de Política! Sou o elemento que passeia mais dentro da Assembleia da República… Ando de um lado para o outro, visito várias secretárias, cadeiras, canetas então!… No fim, o resultado é sempre o mesmo. Todos os projectos que por mim passam, acabam por morrer. Fica tudo no papel.

DF – Como é o seu dia-a-dia?
Papel –
Acordo sempre muito cedo para trabalhar. Levanto-me da cama todo amarrotado e com vontade de passar o dia deitado… Aliás, é isso mesmo que acontece. O meu tempo divide-se entre a papelaria onde passo a maior parte do tempo (andando de mão em mão, de impressora em impressora, levando uns agrafes aqui outros ali, uns furinhos, enfim, tudo e mais alguma coisa…) e a Assembleia da República. Muitas das vezes, não sei se é impressão minha, mas fico com um tom de pele diferente… Ou estou muito colorido, ou a preto e branco, ou às riscas, aos quadradinhos…

DF – Acaba por ter uma vida divertida…
Papel –
Pode-se dizer que sim; porém, a diversão não é tudo e precisamos de “papel” para viver… Nesse aspecto é que sou um pouco prejudicado. Eu sou muito barato e as pessoas não me sabem aproveitar… Poderia ter uma vida mais longa e tranquila se, depois de me utilizarem, me colocassem no meu devido lugar, num Ecoponto.

DF – Tem algum modelo a seguir?
Papel –
Sim, tenho. Sempre gostei do papel de embrulho, porque acaba por ser sempre uma surpresa para todos. Apesar de trabalhar mais na época natalícia, nunca deixou de ser o meu ídolo. Admiro muito, ainda, o Senhor Bill Gates que, apesar de ser dono do “Mundo Informático” é a pessoa que tem mais “papel” no mundo.

DF – Que conselho deixa aos seus utilizadores?
Papel – Todos nós somos e temos um papel na vida. O importante é saber escrever nele.

André Pereira

terça-feira, junho 20, 2006

Entrevista ao Silêncio - Sem Palavras...

Esta entrevista foi feita off-record uma vez que o entrevistado não pode ser ouvido oficialmente.

DF – Olá, senhor Silêncio. Desde já agradeço a sua disponibilidade para nos dar esta entrevista…
Silêncio –
Não tem de quê… Eu estou sempre disponível, as pessoas é que muitas das vezes não sabem como me contactar…

DF – Comecemos pelo princípio… Que recordações guarda da sua infância?
Silêncio –
Ora bem, eu nasci muito longe de Portugal… Num planeta muito distante, não pertencente a esta galáxia. Contudo, vim muito cedo para o planeta Terra e instalei-me aqui em Portugal. Durante muitos anos era muito apreciado, especialmente enquanto estava no poder um senhor que já foi referido numa das suas anteriores entrevistas… Como é meu hábito, recuso-me a dizer o seu nome. Vivi muito bem nessa altura, apesar de ser perturbado algumas (muito raras) vezes. Especificamente da minha infância, lembro-me de ver os conselhos do meu pai (não os podia ouvir porque ele não falava, era o Senhor Silêncio Absoluto) e de ler nos lábios de minha mãe as canções de embalar que utilizava para me adormecer (era a Senhora Caluda) . Recordo-me ainda de ver na televisão um filme sobre o meu irmão, “O Silêncio dos Inocentes”.

DF – A partir de uma certa altura na sua vida, o seu papel na sociedade tendeu a diminuir. Encontra alguma razão para que isso tenha acontecido?
Silêncio –
De há umas décadas para cá que noto que tenho sido enviado para segundo plano. As pessoas começaram a poder expressar-se mais livremente, a música começou a utilizar mais instrumentos e sons… Tudo mudou… Hoje em dia, vivemos num tempo muito agitado. Até mesmo o meu primo, o Pensamento, tem sofrido muito com estas alterações. Ninguém pára para pensar! E quando pensam que estão a pensar, fazem-no num ambiente de barulho… Barulho a todos os níveis: social, económico, financeiro…

DF – Há quem o critique pela sua apatia perante os problemas sociais…
Silêncio –
Eu não posso emitir muitas opiniões, uma vez que não fui feito para dar opinião mas sim para pensar sobre o problema. Ando sempre com o meu primo… Reconheço que muitos utilizam o meu perfil para se defenderem… Quando não têm certeza do que pensam, escondem-se atrás da minha “imagem”. Se eu opinasse sobre os problemas sociais, deixaria de existir e de ter credibilidade. Preciso sempre de alguém que me ajude a prevalecer.

DF – Actualmente, que faz?
Silêncio –
Bem, eu ando por aí a passear discretamente. Falo muitas vezes com quem me quer ouvir, contudo não sou bem interpretado por muita gente… O meu horário laboral é nocturno, apesar de, uma vez por outra, trabalhar de dia, por turnos. Mas é muito raro. E até de noite as coisas estão cada vez piores.

DF – Para além da sua actividade, que hobbies tem?
Silêncio –
Desde muito pequenino que tenho uma grande paixão pelo fado. Apesar de não poder cantar, acompanho quem o faz. Sempre que alguém canta o fado, lá estou eu: “Silêncio, que se vai cantar o fado”.

DF – Muita gente fala de si, o que por um lado é positivo; por outro lado, esta fama a que está sujeito afasta-o da sociedade…
Silêncio –
Sim, claro que sim. Eu mesmo, estando a conceder-lhe esta entrevista, estou a quebrar o meu Código Deontológico. Mas espero que não revistem o meu computador à procura de material sonoro… Aliás, poucas vezes utilizo o computador, os meus pertences estão todos arquivados em envelopes noves… Peço desculpa, em envelopes novos.

DF – Quais são as situações mais embaraçosas em que se encontrou até hoje?
Silêncio –
É uma pergunta difícil de responder… Posso dizer que me desloco constantemente a todos os clubes de futebol, passo a vida numa correria muito stressante, especialmente quando há Black-outs… Ultimamente tenho ido mais para o norte. Outro caso bastante mediático em que me encontrei envolvido como arguido foi o caso de abuso de menores na Casa Pia. Muitos são aqueles que me tentam comprar, muitos são os que me querem vender… Posso dizer que sou o principal acusado de o processo ainda não ter andado para a frente…

DF – Com estas suas afirmações, está a quebrar o silêncio?
Silêncio –
Longe de mim prejudicar os meus familiares. Eu concedo-lhe esta entrevista mas espero que fique com o meu avô, no Silêncio dos Deuses. Caso contrário terei eu mesmo que o silenciar. Sabe, eu faço as coisas pela calada…

DF – Tem algum sonho que gostaria de ver concretizado?
Silêncio –
Gostaria muito que as pessoas me ouvissem mais vezes. Sabe, eu sou essencial para fazer com que as pessoas sonhem. Sem o silêncio não há sonhos, mas o pior sonho das pessoas é o maior silêncio do mundo… a Morte! E depois lá vem o meu irmão mais pequenino meter-se convosco: o “Minuto de Silêncio”.

André Pereira

quinta-feira, junho 15, 2006

É nooooooossa!

Portugal venceu ontem à noite o Brasil por três bolas a uma na final do Mundial 2006 conquistando o título de campeão mundial. O jogo foi bastante equilibrado, como seria de esperar, mas a força e determinação dos jogadores portugueses acabou por ser fundamental para chegar à vitória.

Os protagonistas

A Selecção Portuguesa alinhou com Ricardo na baliza, defesa composta por Paulo Ferreira e Caneira nas laterais, Ricardo Carvalho e Fernando Meira no eixo central. No meio campo alinharam Petit e Maniche (mais recuados), Deco mais no miolo com Luís Figo e Cristiano Ronaldo nas laterais ofensivas, dando o seu apoio ao ponta-de-lança Pauleta.
O Brasil alinhou com o seguinto onze: Dida, Cafu, Juan, Lucio e Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Ronaldo e Adriano.

HISTÓRIA DO JOGO

O conjunto português não entrou da melhor maneira. A equipa estava muito nervosa e foi com alguma naturalidade que o Brasil chegou ao 1-0, quando estavam decorridos apenas 15 minutos de jogo. Ronaldinho foge mais uma vez pela esquerda, faz uma tabela com Emerson e isola-se frente a Ricardo, que não teve qualquer hipótese de parar o potente e colocado remate
do número 10 brasileiro.

A equipa portuguesa reagiu bem ao golo. De facto, foi o melhor que podia ter acontecido.
Uma excelente combinação entre Deco e Figo culminou num remate deste com Dida a responder através de uma excelente defesa. Dois minutos depois, um livre directo cobrado por Cristiano Ronaldo passou a centímetros do poste da baliza de Dida. Era o melhor período da Selecção Portuguesa.


A segunda parte começou praticamente com o golo do empate. Livre descaído na direita e Fernando Meira a desviar subtilmente a bola ao primeiro poste, batendo Dida pela primeira vez. O Brasil reagiu de imediato com um remate à entrada da área por parte de Adriano que fez a bola bater com estrondo no poste da baliza de Ricardo.

A partir daí o jogo manteve-se repartido, com algum ascendente por parte da equipa canarinha. Ronaldinho e Ricardo mantiveram um duelo onde o guardião português levou sempre a melhor sobre o talentoso avançado brasileiro. A 10 minutos do fim Cristiano Ronaldo teve um lance de génio. Ultrapassando Emerson com uma brilhante finta e batendo Cafu em velocidade desferiu um remate cruzado que só parou no fundo da baliza de Dida. E estava feita a reviravolta no marcador!

O Brasil apostou tudo no ataque. Pouco tempo depois quase empatava, após jogada confusa na área de Portugal, com Lucio a rematar e Ricardo a fazer uma defesa por instinto.

Já em cima do minuto 90 surgiu um canto a favor de Portugal. Ricardo saltou mais alto e agarrou a bola, lançando de imediato Simão Sabrosa (acabado de entrar). Completamente isolado perante o guarda-redes brasileiro, Simão não teve qualquer dificuldade em o contornar, empurrando a bola para o fundo das redes mais uma vez. E a história estava feita, Portugal é campeão mundial!
Quanto a Scolari, o Felipão festejou o seu segundo título mundial. Há quatro anos, pelo Brasil. Desta feita contra o Brasil. Portugal está em festa, o governo já decretou feriado nacional para amanhã. Scolari regressa a Portugal feliz, mas com o coração dividido.
Pedro Santos

quarta-feira, junho 14, 2006

O Cinema


Nascido a 28 de Dezembro de 1895 fruto de uma próspera parceria entre irmãos, o Cinema tornou-se numa palavra comum na boca da humanidade, o seu aparecimento revolucionou o próprio conceito de entretenimento fundindo-o com a cultura e tornando-a assim disponivel a um público mais alargado. Visto como uma benção para uns, um mal da sociedade para outros, não deixa niguém indifrente.

DF: Gostaria, em primeiro lugar, de agradecer o tempo despendido para esta entrevista. Como workaholic que é não deve ter sido fácil arranjar tempo para nós. Antes de mais, como se sente com 108 anos? Cansado e com vontade de passar o testemunho a outros meios, ou ainda mais motivado para vencer novos e tremendos desafios?
Cinema:
Bem, ao contrário do que possa imaginar não vou envelhecendo, bem pelo contrário. Quanto mais o tempo passa mais revigorado me sinto; longe vão os dias do preto e branco, hoje sou cor e movimento. Com o passar dos anos deixei as baias da realidade, a imaginação é o limite, melhor, a imaginação não tem limites. Claro que me sinto com força para continuar.

DF: Então e o que diz às pessoas que o acusam de já não trazer nada de novo, de apenas se servir de modelos predefinidos e repetitivos para conseguir atenção fácil?
Cinema:
Digo apenas para me prestarem maior atenção pois se dizem isso é porque andam distraídos. É claro que tenho géneros base - drama, acção, terror, comédia -, mas eles também se podem cruzar e dar origem a uma multiplicidade de sub-géneros. Veja-se o caso da trilogia Evil Dead, de Sam Raimi. É um exemplo extremo, mas esse meu colaborador conseguiu criar a comédia de terror. As potencialidades para inovarmos são infinitas.

DF: Tem algum género favorito?
Cinema:
Talvez a comédia, é um género menosprezado mas ao qual dou muito valor. Podem não ser as minhas obras-primas, mas são muito importantes. As pessoas estão fartas do mundo sério em que vivem, precisam de uma boa escapatória; todos sabemos que não há nada melhor do que uma boa gargalhada para nos fazer sentir melhor.

DF: Houve algum período maldito na sua existência, alguma vez pensou que era desta que iria arrumar as bobines?
Cinema:
Orgulho-me de todas as minhas obras, mas de facto, se tenho mesmo que fazer o exercício que me pede, talvez os anos 80 do século passado. Aqueles penteados ainda hoje me deixam com os cabelos em pé! Se queríamos desafiar as leis da gravidade não era pelo cabelo que devíamos começar. E a roupa?! Nunca em toda a minha vida pensei assistir a tamanha parada de mau gosto, desde os chapéus até aos casacos cujos padrões pareciam retirados de cortinados de sala de estar. O maior defeito dos filmes, neste período, não estava nas obras em si mas na moda, especialmente nas comédias para adolescentes.

DF: Pergunta sacramental: qual é a sua obra favorita?
Cinema:
Está à espera que eu lhe responda? Engana-se...

DF: Já supunha isso.
Cinema:
Mas posso nomear algumas obras das quais muito me orgulho. Por exemplo, Metropolis, em parceria com Fritz Lang; Apocalypse Now, do Coppola, ou a trilogia O Padrinho. É uma lista longa, que engrossa todos os anos.

DF: Muito obrigado pelo tempo que nos disponibilizou, obrigado também pelos bons e inesquecíveis momentos que nos vai proporcionando.
Cinema:
Eu é que agradeço. O carinho que têm por mim, pelas fitas que exibo, é o que mais me motiva a continuar. E Coimbra está de parabéns, tanta sala de cinema nova, que luxo. É preciso que as salas encham, que fitas não é só na Queima, meu menino!

José Santiago

terça-feira, maio 30, 2006

"Temos sido roubados"


Adalberto Júnior, jogador profissional do SFC (Só Futebol Clube) aceitou conceder uma entrevista ao Diário de Fictícias, com o intuito de “esclarecer o que se passa no mundo do futebol”.

DF: Adalberto, qual é o seu estado de espírito neste momento?
AJ
: (enquanto limpa o suor da testa) Foi um jogo limpo, valeu pelos três pontos, acho que merecemos ganhar e vamos agora pensar no próximo jogo, que é já no próximo domingo.

DF: Não me referia ao seu sentimento após o jogo de ontem, mas sim ao que sente quando vê o seu nome envolvido neste caso de polícia?
AJ
: (atrapalhado) Claro, claro… Apenas estava a ensaiar. É claro que me sinto apreensivo e com o moral muito em baixo. Tenho a certeza que nada fiz para ter sido constituído arguido, mas espero que se faça justiça.

DF: O que pensa deste caso?
AJ: Este é claramente um caso que não aconteceu por mero acaso. Tudo se tem vindo a agravar desde a 8ª jornada. Desde essa altura temos sido roubados…. Já fiquei sem três telemóveis, duas fitas para pôr no cabelo, seis brincos e até já fiquei sem uma tatuagem que tinha no braço a dizer “Amor de Mãe”. Imagine os meus colegas… Ninguém me tira da cabeça que o senhor árbitro, durante o jogo e sem darmos por isso, mete a mão nos nossos bolsos e tira o que pode.

DF: Tem a noção que é uma acusação muito grave, apelidar o árbitro de “senhor”…
AJ: Sim, mas assumo todas as minhas responsabilidades pelo que disse. Às vezes reconheço que me exalto e depois excedo-me quer no tom de voz quer nas palavras que utilizo… (Agora já sem camisola) Como capitão desta equipa afirmo que no próximo jogo não cometeremos qualquer tipo de falta.

DF: É uma forma de protesto?
AJ: Claro que sim. Todos nós sabemos que os árbitros, especialmente em Portugal, gostam muito de apitar. A razão para tal é que ninguém sabe. Mas eu digo, sem qualquer medo de represálias: o objectivo desses “senhores” é polir bem o apito para que este se torne cada vez mais dourado…

DF: Está a insinuar alguma coisa?
AJ: Hoje em dia, o arco-íris já não aparece muitas vezes, o céu torna-se cada vez mais azul…

DF: Alguma metáfora?
AJ
: Não sei, senti-me apertado na defesa e disseram para meter a bola fora “Mete fora, mete fora!”. Foi o que eu fiz. Por isso, acho que se pode considerar uma metáfora.

DF: Mudando de assunto, o Mundial de Futebol aproxima-se e o Adalberto não faz parte dos eleitos do seleccionador…
AJ
: Sim, fiquei muito desiludido com esta escolha até porque eu sou um jogador com muita qualidade. Acho que o mister não me escolheu porque eu costumo usar muitos brincos e falo com o sotaque do norte, carago. Mas ninguém morreu por isso.

DF: Contudo, o que deseja aos 23 jogadores que irão representar o seu país?
AJ
: Bem, já ganhámos várias vezes esta competição, por isso não vai ser muito difícil levarmos mais um troféu para casa, para depois desfilarmos no Bairro da Tijuca, ao som do samba!

DF: Eu referia-me à Selecção Portuguesa…
AJ
: Ah pois… O meu país do coração. Sim, adoro muito Portugal, o clima é fantástico, os portugueses são muito simpáticos. Somos o povo irmão. E, como é natural, espero encontrar Portugal na final… Quer dizer… Espero que Portugal vá à final!

DF: Que conselho dá aos seus fãs?
AJ
: Acima de tudo está o futebol, só depois vem a escola! Eu fiz assim e, graças a Deus, sou o que se vê!
André Pereira

quarta-feira, maio 24, 2006

Uma Entrevista a um Pincel


Numa tarde chuvosa de Domingo, um pincel recebeu-nos para uma entrevista no seu local de trabalho. Trata-se de um atelier, numa zona típica e pitoresca de Coimbra; um espaço artístico intensamente vivido, onde as obras tomam conta do local e dos visitantes. A conversa sucedeu-se nervosamente, evidenciando alguém pouco habituado a entrevistas.


DF - Esta sua fase, pode ser considerada como uma ruptura ou uma evolução em relação aos seus anteriores trabalhos?
Pincel
- É uma evolução, uma continuação... O meu processo, é uma análise tendo sempre em vista o que acontece à minha volta; por outro lado, desde o príncipio tenho vindo a construir uma linguagem através de sinais e códigos, que vai evoluindo ao longo dos anos e isso é bem patente durante o período em que estive em África. E, mais tarde, à medida que as coisas foram, normalmente, acontecendo e eu tive outro tipo de contactos, nomeadamente na Europa com outros autores fui também construindo uma linguagem própria a partir do que ia captando. Em relação ao México o processo é semelhante: tive, igualmente, um contacto muito profundo com a cultura mexicana, quer com a arte, quer com a arqueologia e a história e apropriei-me de uma série de sinais que introduzi na minha própria linguagem. Portanto, o processo continua, com novos elementos.


DF - Mas em relação à cor, ela continua a ser fundamental e uma constante em toda a sua obra.
Pincel
- Sim, a cor continua a ser importante, embora nestes trabalhos tenha introduzido prateados e dourados, que já utilizava.


DF - O que é que gosta mais de criar? Quadros ou esculturas?
Pincel
- É indiferente, depende, tenho fases. Neste momento estou a pintar mais, mas não quer dizer que, de um momento para o outro, pare.


DF - E no que diz respeito às outras actividades que mantém paralelamente, como coçar as costas e fazer cócegas...
Pincel
- Não são, nem de perto nem de longe, a minha actividade principal. São actividades secundárias que faço só em ocasiões muito especiais, porque, ao fazê-las, interrompo o meu processo criativo.


DF - Acha que é mais conhecido nacional ou internacionalmente?
Pincel
- Na realidade, tenho divulgado mais a minha obra lá fora do que aqui em Portugal. Nunca quis que o meu trabalho morresse nas paredes das casas dos portugueses. Como não há grande tradição cultural nem artística no nosso país, logo também não há tradição de pintura. Por isso, uma obra apenas conhecida em Portugal é menos visível do que se fosse conhecida internacionalmente. Portanto, sempre desejei que a minha obra fosse conhecida no estrangeiro. Aliás, é facilmente perceptível que os meus trabalhos não têm nada a ver com os fenómenos folclóricos portugueses. Têm uma linguagem que tanto é perceptível em Portugal como em outro país qualquer. Não vive o aperto de um provincianismo português.


DF - Mas não sente que, ultimamente, os nossos tugas despertaram para a sua pintura?
Pincel
- Em Portugal, há uma barreira difícil de transpor que é a do provincianismo, ou então a barreira daqueles que, à partida, pretendem anular os que se vão evidenciando. É um jogo de intrigas e ciúmes que obrigam o pincel de renome como eu a sair e pintar lá fora. Ao menos assim é difícil voltar a estrangular o leque de opções que se abrem quando se inicia uma carreira internacional.


DF - O gosto pelo seu trabalho é algo que se renova ou é já uma obsessão?
Pincel
- O facto de ter uma disciplina de trabalho e estar quase sempre no atelier não significa que esteja sempre a produzir novas coisas. Vou produzindo pequenas coisas e preparando novas obras, muitas vezes em busca de inspiração, porque há alturas em que, pura e simplesmente, não consigo produzir nada. Não estou inspirado, nem com criatividade, mas são dias que não posso perder e, portanto, há outro género de trabalhos que posso fazer. Um pincel tem que estar tecnicamente preparado e apetrechado para que, quando surja essa inspiração, se possa dar vazão a esses momentos mais profícuos. Logo, a disciplina é extremamente importante num trabalho como este. Quanto mais se trabalha, mais se aperfeiçoa e mais se melhora o produto final, principalmente a sua vertente técnica.. Por isso, aqueles que não têm uma personalidade vincada e uma mão criadora na sua obra são facilmente detectáveis.


DF - E em relação ao futuro?
Pincel
- Vou trabalhando nos meus projectos, vou evoluindo e desenvolvendo o meu trabalho, o que aliás objectivo desde sempre. Os meus pêlos são de cedro são fortes e vigorosos, tenho a certeza que não me vão deixar ficar mal.


DF - Para terminar, gostaria de saber a sua opinião sobre as novas tecnologias de pintura por computador.
Pincel
- Em primeiro lugar, digo-lhe que estou muito pouco informado sobre esse fenómeno. Tanto quanto sei, é um processo até simples, desde que se disponha de um computador. No fundo, é como dispor de uma máquina que executa.. Mas eu não tenho preocupações o traço que um pincel deixa é marcante


DF - Mas o que é que acha que serão as consequências disso no futuro? Alinha no cepticismo daqueles que temem que a pintura informática fará com que as pessoas deixem de apreciar a arte manual!
Pincel
- Acho que não. Eu, por exemplo, tenho um amigo computador com o qual nunca tive grandes realções pois não estou interessado nisso. Continuo a trabalhar pelas viasque sempre trabalhei. Sei que há artistas que usam o computador para trabalhar, mas tenho sistemas adaptados ao meu processo que me permitam resolver rapidamente as coisas. Ainda não pensei a sério na questão dos computadores. Contudo, acho que para quem gosta que faça bom proveito.


DF - Muito Obrigado Sr Pincel.
Ivan Costa

"A Culpa é dos Fantasmas!"


Dona Propina não compreende os protestos dos estudantes. Mostra-se contra os alunos-fantasma, quer que os calões paguem a crise e anuncia reforma daqui a dois anos.

DF - Bom dia. Que comentários faz ao protesto dos estudantes?
Dona Propina
– Em meu entender não se justificam.


DF - Mas os estudantes queixam-se de que muitos vão deixar de poder pagar as propinas, que passaremos a ter um ensino superior elitista a que só os ricos terão acesso.
Dona Propina
- Só os ricos? Sabe quanto dinheiro é que os nossos estudantes pobres gastam por mês em telemóvel, cigarros e copos?


DF – Sinceramente não sei.
Dona Propina
- Eu também não. Mas tenho a certeza que ultrapassa largamente o valor mensal das propinas. Muitos dos nossos estudantes, bem feitas as contas, não sabem verdadeiramente o que significa ser pobre.


DF - Mas os estudantes protestam de norte a sul...
Dona Propina
- Uma prova cabal de que as propinas são baratas é o elevado número de alunos-fantasma, estudantes que pagam as propinas mas que nunca põem os pés na universidade, nunca vão às aulas e nunca aparecem aos exames. Nós temos cerca de 50% desses fantasmas. Deitam o dinheiro das propinas para o lixo. Isso é uma prova evidente de que as propinas são baratas.


DF - Não admite que haja estudantes com dificuldades para pagar?
Dona Propina
– É capaz de haver alguns. Mas repare que as propinas representam aproximadamente 10 a 15% das despesas mensais de um estudante. Por outras palavras: não é o facto de as propinas passarem para 50 euros por mês que vai fazer com que só os ricos possam estudar. Infelizmente, aqueles que são realmente pobres têm poucas hipóteses de estudar, com ou sem propinas.


DF - O aumento pecou por escasso, é isso?
Dona Propina
- O valor das propinas após o aumento continua a ser simbólico, dá para as despesas correntes da universidade. Quase nada desse dinheiro é usado para melhorar substancialmente o ensino universitário. A questão essencial é decidir se o ensino superior deve ser um direito universal, assegurado na íntegra pelo Estado. Na minha opinião, nem todos deveriam ter acesso gratuito ao ensino superior. O Estado só deveria subsidiar o ensino superior àqueles que merecem.


DF - E quem é que merece?
Dona Propina
- São aqueles que estudam. Os que andam na vadiagem vão embora, ou então pagam o preço real do ensino superior.


DF - E como é que isso poderia ser feito?
Dona Propina
- Por exemplo: os estudantes com média superior a 16 não só não pagariam as propinas, como receberiam um subsídio mensal do Estado de 500 euros; com média entre 14 e 16 ficariam isentos de propinas, recebendo um subsídio mensal de 250 euros; e por aí adiante. Os que chumbam sistematicamente teriam de pagar os custos reais do ensino superior público. Seria uma espécie de medida à Robin dos Bosques. A diferença é que em vez de tirar aos ricos para dar aos pobres, tiramos aos calões para dar aos que estudam.


DF - Não receia que as universidades fiquem com muito poucos alunos?
Dona Propina
- Infelizmente sim.


DF - E havendo poucos alunos, ficava com professores a mais, certo?
Dona Propina
- Infelizmente sim.


DF - E se calhar a senhora ficava sem emprego.
Dona Propina
– De maneira nenhuma. Eu estou no ensino superior em comissão de serviço, pertenço aos quadros do Ministério das Finanças. E digo-lhe mais, já começo a ficar farta disto. Mais dois anitos peço a reforma, quem vier depois de mim que feche a porta ou então consiga verbas para aguentar o funcionamento do sistema. E
agora vá mas é estudar…

Ana Brites

sexta-feira, maio 19, 2006

"A minha meta é o Parlamento Europeu"


Entrevista a uma cadeira da Assembleia da República


Confortável, macia, conversadora e simpática; é assim a cadeira da Assembleia da República (CAR) que concedeu uma breve entrevista ao nosso jornal.

DF: Qual é a sua função e onde trabalha?
CAR:
Eu sou uma cadeira que trabalha na Assembleia da República, no parlamento português. Tenho por função proporcionar bem-estar aos deputados durante as suas reuniões.

DF: Como é o seu dia-a-dia?
CAR
: De manhã sou acordada ao som do Hino Nacional. Logo de seguida, várias empregadas de limpeza passam cerca de uma hora a arrumar a Assembleia. Da parte da tarde, há reuniões com leis a aprovar e questões a debater. Ao fim do dia, apagam-se as luzes e dormimos.

DF: Qual é o seu horário laboral?
CAR:
Eu tenho uma grande flexibilidade nesse aspecto. Apesar de haver uma escala com os horários estipulados, raramente é cumprido. Nós, as cadeiras, não temos para onde ir nos períodos mortos, somos obrigadas a ficar naquela sala enorme. Os deputados quase nunca chegam a horas e, quando chegam, são raros os que aquecem o lugar. Mas também há aqueles que aproveitam para descansar um bocadito os olhos. Tenho colegas de trabalho que sofrem muito com as diferenças de temperatura. Estando sempre descobertas, basta uma corrente de ar para ficarem logo constipadas. No que diz respeito a férias, posso dizer que temos alguma facilidade, pois são raras as vezes em que a Assembleia se encontra cheia.

DF: Já teve algum acidente de trabalho?
CAR:
Felizmente apenas um. Estava a descer as escadas do Parlamento, escorreguei e parti uma perna. Como seria de esperar, durante dois meses tornei-me numa cadeira de rodas…

DF: Como são os seus colegas?
CAR:
As outras cadeiras do Parlamento são cadeiras simpáticas e muitas vezes falamos sobre os assuntos em destaque nas discussões parlamentares. Conhecemo-nos há décadas. Os deputados é que variam, normalmente, de 4 em 4 anos. Cada partido tem os seus lugares marcados, mas as pessoas raramente são as mesmas durante muito tempo. Até na forma de sentar são diferentes: uns sentam-se mais à direita, outros mais à esquerda, e outros nem se sentam de um lado nem do outro, depende da maré… (risos)

DF: Gosta daquilo que faz?
CAR:
Gosto muito do meu trabalho. Conheço, de antemão, os problemas do nosso País, e as soluções que cada grupo parlamentar apresenta para os resolver. Por outro lado, divirto-me muito com algumas propostas apresentadas. Há dias em que até me chega a doer a almofada de tanto rir.

DF: Que caminho percorreu antes de chegar aqui?
CAR:
O tradicional. Fui cadeirinha de bebé, passei pela escola primária, concluí o Ensino Básico e o Secundário. Essa altura da minha vida foi muito complicada pois tinha duas opções: ou ia para cadeira do Estádio Alvalade XXI, a convite de um conhecido do meu pai, ou iria para a Universidade. Decidi-me pelo curso superior. Foi a melhor escolha; se fosse para o Estádio do Sporting provavelmente teria que mudar de visual (mudar de cor) e talvez ficasse atrás de um placard que me impediria de ver os jogos… Terminada a minha licenciatura, fui estagiar como cadeira de escritório para o gabinete do Primeiro Ministro da altura, e, devido ao meu carácter, também à qualidade da minha pele, três anos depois fui proposta para cadeira do Parlamento. E aqui estou, a minha profissão resume-se à Assembleia da República.

DF: Que objectivos pretende alcançar?
CAR:
Bem, a minha principal meta como cadeira é a Europa, ou seja, ser cadeira do Parlamento Europeu. Todos nós sabemos que aqui em Portugal o campeonato não é muito competitivo, só há duas equipas grandes. Na Europa tudo é diferente, a visibilidade a que estou sujeita é muito maior.

DF: Tem alguma cadeira que admire?
CAR:
Sim, admiro muito a minha falecida avó, que arriscou imenso em prol da democracia. Foi a última cadeira em que Salazar se sentou, lembra-se, não se lembra? Uma heroína, a senhora...
André Pereira