quarta-feira, junho 14, 2006

O Cinema


Nascido a 28 de Dezembro de 1895 fruto de uma próspera parceria entre irmãos, o Cinema tornou-se numa palavra comum na boca da humanidade, o seu aparecimento revolucionou o próprio conceito de entretenimento fundindo-o com a cultura e tornando-a assim disponivel a um público mais alargado. Visto como uma benção para uns, um mal da sociedade para outros, não deixa niguém indifrente.

DF: Gostaria, em primeiro lugar, de agradecer o tempo despendido para esta entrevista. Como workaholic que é não deve ter sido fácil arranjar tempo para nós. Antes de mais, como se sente com 108 anos? Cansado e com vontade de passar o testemunho a outros meios, ou ainda mais motivado para vencer novos e tremendos desafios?
Cinema:
Bem, ao contrário do que possa imaginar não vou envelhecendo, bem pelo contrário. Quanto mais o tempo passa mais revigorado me sinto; longe vão os dias do preto e branco, hoje sou cor e movimento. Com o passar dos anos deixei as baias da realidade, a imaginação é o limite, melhor, a imaginação não tem limites. Claro que me sinto com força para continuar.

DF: Então e o que diz às pessoas que o acusam de já não trazer nada de novo, de apenas se servir de modelos predefinidos e repetitivos para conseguir atenção fácil?
Cinema:
Digo apenas para me prestarem maior atenção pois se dizem isso é porque andam distraídos. É claro que tenho géneros base - drama, acção, terror, comédia -, mas eles também se podem cruzar e dar origem a uma multiplicidade de sub-géneros. Veja-se o caso da trilogia Evil Dead, de Sam Raimi. É um exemplo extremo, mas esse meu colaborador conseguiu criar a comédia de terror. As potencialidades para inovarmos são infinitas.

DF: Tem algum género favorito?
Cinema:
Talvez a comédia, é um género menosprezado mas ao qual dou muito valor. Podem não ser as minhas obras-primas, mas são muito importantes. As pessoas estão fartas do mundo sério em que vivem, precisam de uma boa escapatória; todos sabemos que não há nada melhor do que uma boa gargalhada para nos fazer sentir melhor.

DF: Houve algum período maldito na sua existência, alguma vez pensou que era desta que iria arrumar as bobines?
Cinema:
Orgulho-me de todas as minhas obras, mas de facto, se tenho mesmo que fazer o exercício que me pede, talvez os anos 80 do século passado. Aqueles penteados ainda hoje me deixam com os cabelos em pé! Se queríamos desafiar as leis da gravidade não era pelo cabelo que devíamos começar. E a roupa?! Nunca em toda a minha vida pensei assistir a tamanha parada de mau gosto, desde os chapéus até aos casacos cujos padrões pareciam retirados de cortinados de sala de estar. O maior defeito dos filmes, neste período, não estava nas obras em si mas na moda, especialmente nas comédias para adolescentes.

DF: Pergunta sacramental: qual é a sua obra favorita?
Cinema:
Está à espera que eu lhe responda? Engana-se...

DF: Já supunha isso.
Cinema:
Mas posso nomear algumas obras das quais muito me orgulho. Por exemplo, Metropolis, em parceria com Fritz Lang; Apocalypse Now, do Coppola, ou a trilogia O Padrinho. É uma lista longa, que engrossa todos os anos.

DF: Muito obrigado pelo tempo que nos disponibilizou, obrigado também pelos bons e inesquecíveis momentos que nos vai proporcionando.
Cinema:
Eu é que agradeço. O carinho que têm por mim, pelas fitas que exibo, é o que mais me motiva a continuar. E Coimbra está de parabéns, tanta sala de cinema nova, que luxo. É preciso que as salas encham, que fitas não é só na Queima, meu menino!

José Santiago

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